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De criança a adolescente: Entenda melhor o seu filho

Para ajudar os jovens nesta fase de descoberta e mudança, é preciso impor limites. A psicóloga clínica dra. Raquel Martins Ferreira explica-lhe como.

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Por se tratar de um período de transição, marcado por profundas transformações físicas e psicológicas, a adolescência caracteriza-se, naturalmente, por uma série de avanços e recuos, dúvidas e incertezas, bem como de sentires exacerbados. Esta é uma fase de procura e construção de identidade própria, de escolhas e caminhos a seguir. No decorrer deste ciclo de desenvolvimento, são várias as problemáticas que se podem e devem falar, desde o desafiar as regras e limites, as crises familiares, os consumos por vezes excessivos e os comportamentos desmedidos. A imagem assume outro papel. Para os mais entendidos “há que seguir a moda”, visando a aceitação e o sentimento de pertença a um grupo. Começa a ouvir-se falar em problemas de autoestima, ansiedade, problemas alimentares, comportamentos de risco.

Os pais têm um papel fundamental na prevenção e intervenção destas problemáticas. Esse trabalho não começa apenas nesta idade, mas tem de ser feito desde muito cedo. É importante construir uma relação de proximidade e confiança, que permita que o jovem tenha a abertura suficiente para procurar ajuda quando necessário. No entanto, a nossa sociedade não está feita a pensar neste tipo de questões e o ritmo de vida das crianças, adolescentes e pais é alucinante, tornando difícil o diálogo saudável depois de um dia trabalho. Mas difícil não é impossível.
Como e o que fazer? Promova o diálogo, pergunte-lhe como correu o dia, quais os pontos positivos e negativos. Substitua os “raspanetes” pelo “que podias ter feito diferente?”, discuta estratégias de forma construtiva e assertiva.

Costuma elogiar o seu filho? E como é que o faz? Saiba que comentários como “que olhos/cabelo/roupa tão bonitos” não são elogios assim tão positivos. Grande parte dos jovens/adolescentes que hoje em dia têm baixa autoestima tiveram esse tipo de comentários na infância. E porquê? Porque esses comentários apenas reforçam a imagem exterior. Então como fazer? Elogiar sim, mas visando o comportamento. “Puseste a mesa sozinho? Escovaste os dentes? Boa, lindo menino, já consegue fazer isto ou aquilo sozinho e bem”. Sabe-se que as birras são, muitas vezes, constantes. Na maior parte das vezes, os pais cansados dão aos miúdos brinquedos ou guloseimas para acabar com o teatro. E depois? Será correto? Não, mas dizer-lhe que “não” e dar-lhe uma palmada nem sempre resolve o problema. Ter regras desde cedo e dar-lhes asas são bons caminhos.


Regras desde cedo
Os limites e as regras são importantes em qualquer fase de crescimento e “de pequenino é que se torce o pepino”. Eles vão perguntar “porquê” mil vezes e, aí, não vale dizer “porque eu é que mando”. Não será melhor sentar-se com a criança e explicar-lhe porque diz e quando diz a palavra “não”? Como é importante dizer se faz favor, obrigado e desculpa? Explicar-lhe que nem sempre se pode ter tudo, ensinar-lhe a importância das regras e limites? Mas não se esqueça, as crianças aprendem em grande parte por imitação, por isso, saiba pedir desculpa quando falha.

Dê-lhes asas
Entenda que as crianças vão crescendo e, ainda que na condição de pais, tenhamos a ideia de proteção, dê espaço ao seu filho para explorar o mundo, para aprender, para viver e crescer, deixe-o brincar e brinque com ele, adeque as brincadeiras à idade, ouça o que ele tem a dizer, dê-lhe responsabilidade – seja a de arrumar os bonecos na caixa ou pôr a mesa. Estimule a criança, fale corretamente, não utilizando a linguagem “abebezada”.
Chame as coisas pelos nomes, vai perceber que elas percebem mais do que pensamos. E, antes que me esqueça, a regra mais importante de todas: seja feliz e transmita essa felicidade. Trate-a como um adulto sem nunca se esquecer que é uma criança