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Rita Blanco é fã de Maria Paula: "Gostava de ser como ela"

Na novela da SIC, a atriz dá vida a uma mulher sofrida, mas sempre disposta a ajudar quem precisa.

JoaoLima

Foi no areal da praia de São Rafael, no Algarve, que conversámos com Rita Blanco e lhe pedimos para fazer um balanço da sua participação em “Paixão”. O dia era de festa, já que para muitos atores seria também o último dia de trabalho, para além de que se gravava a derradeira cena da novela da SIC. No seu jeito descontraído, a atriz garantiu estar satisfeita: “Esta trama teve, para mim, uma coisa muito agradável: a equipa, de técnicos a atores. Há novelas em que tudo é mais duro, porque há pessoas que não se entendem, como é normal, mas esta foi muito suave”. Na pele de Maria Paula, a simpática dona da fábrica de laranjas com pouca sorte no que toca a amantes, fez questão de elogiar “os seus filhos”. “Tive os melhores filhos que uma mãe pode desejar ao nível da ficção”, brincou, referindo-se a Miguel Nunes e Albano Jerónimo, com quem nunca tinha trabalhado. “Não querendo ser vaidosa, acho que o nosso núcleo funcionava bem porque nos entendíamos. Adorámos trabalhar uns com os outros. E, já que nos pagam e temos de trabalhar, que seja agradável!”.
No seu núcleo, também contracenou com Margarida Vila-Nova (Luísa) e Joana Solnado (Helena), as “noras” com quem teve alguns confrontos. Ainda assim, Maria Paula gosta muito das duas. “Mesmo no pior cenário, ela gosta da Helena. Tem muita pena dela porque aquela mulher é profundamente perturbada. Não fica nada feliz com a desgraça dela.”
“Não sou uma boa samaritana”
O que não lhe agradou mesmo nada na história foi o destino de César, o homem por quem se apaixonou sem imaginar que ele lhe queria matar o filho. “Gostava que tivesse tido um fim mais engraçado.” Mas, apesar de a sua personagem não ter sorte ao amor, ela não vai acabar sozinha: “Fica com os filhos, as netas e os cães! Ela tem uma família a crescer”.
Um dos piores golpes sofridos pela sua personagem foi a trágica morte de Ana Rita, com quem vivia. Ainda assim, a atriz desvalorizou o acontecimento: “Foi um golpe duro, mas a vida é assim. Agora que não sou nova, não passa uma semana que não morra alguém que eu conheça! É mesmo assim e a morte é o que nos diz que vai nascer alguém”.
Ao longo da trama, Maria Paula acolheu várias pessoas em sua casa e esse foi um aspeto da personagem que cativou Rita Blanco. “Parece um pouco exagerado. Por outro lado, é encantador porque é uma coisa muito portuguesa. Gostei disso e gostava de ser como ela. Espero um dia vir a sê-lo”, confidenciou, abrindo o coração. “Não sou uma boa samaritana como ela. Normalmente, sou muito mais egoísta.”
Planear a reforma
Passado quase um ano a gravar no Algarve, a atriz confessou que é naquela região que quer viver quando terminar a carreira. “Já tinha esta ideia antes da novela. Tenho a certeza de que vou viver a reforma longe de Lisboa. Não sou muito citadina, estou mais ligada à natureza e aos animais [Trufa, Óscar e Ritinha, os cães da atriz, contracenaram com a dona em “Paixão”]”. Isso não significa, contudo, que deixe de trabalhar, pois o seu sonho passa ainda pelo teatro. “Gostava de ensinar. Tenho toda a paciência do mundo e gostava de trabalhar com crianças e velhos em teatro. Um trabalho dentro da comunidade.”

“Adoro receber prémios”
Em maio, Rita Blanco venceu o seu quarto Globo de Ouro, desta vez na categoria Melhor Atriz de Cinema, pelo filme “Fátima”. Admite que os galardões são importantes e explica: “Adoro receber prémios na medida em que são um sinal de que agradei às pessoas”. No entanto, dispensava o glamour da cerimónias: “Penso: Estamos aqui todos com estas roupas e tudo e há tantas desgraças no mundo...” Isso não impede, porém, que se sinta agradecida. “A gratidão reverte a nosso favor: quando somos gratos, o cérebro rejuvenesce. Não é uma teoria, está provado. É bom agradecer, sabe bem, e eu nem sequer sou religiosa...”, conclui.