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Maria João Abreu pediu ajuda psicológica: "Só chorava"

A atriz viveu tão intensamente os dramas de Isabel de “Paixão” que acabou por ter de recorrer a apoio psicológico.

Victor Freitas

A novela “Paixão”, da SIC, deixou marcas profundas em Maria João Abreu, que na trama fez de Isabel, uma mulher vítima de violência psicológica. “Foi terrível. Tive de recorrer a Psicologia para me endireitar”, revelou a atriz no dia em que a produtora da história, a SP Televisão, deu um cheque à APAV – Associação de Apoio à Vitima, referente à venda de peças do guarda-roupa da novela. “Foi a primeira vez, em toda a carreira, que isto me aconteceu”, contou ainda, relembrando os momentos difíceis depois do fim das gravações. “Na primeira semana que fiquei em casa nem me apetecia sair da cama. Só chorava. Porque de repente já nem é a personagem, só fica um emaranhado de emoções até ao tutano.”
Maria João confessou que vestiu a pele desta mulher de uma forma muito intensa durante todo o ano de trabalho. “Era uma personagem muito sofrida. Estava sempre a acontecer-lhe coisas. Era uma vítima emocional. O marido, João [António Capelo], fazia uma grande jogo psicológico com ela. Como entro a fundo nas coisas, levava a personagem para casa”, relatou.
Dar o alerta
Apesar de tudo, a atriz sente que este trabalho “foi gratificante”. “Nas novelas podemos chegar ao coração das pessoas. Há quem viva durante anos nestas situações. E as novelas servem como incentivo a que as pessoas procurem ajuda”, argumentou. João Lázaro, presidente da APAV, concorda com a atriz: “Estes formatos ajudam-nos a chegar a muito mais gente, não só a quem é vítima como permite mobilizar a sociedade”. Neste caso, a APAV considera que, apesar dos números alarmantes (ver caixa), “a comunidade está muito mais intolerante à violência. Se alguém tiver um colega, amigo ou conhecido que sofra de violência doméstica, tentam fazer alguma coisa”, disse João Lázaro.
Maria João Abreu, que entretanto já está no elenco para a nova série da SIC, garante que não se importava de voltar interpretar uma personagem com os mesmo dramas. “Mas não tão cedo, deem-me uma folga!”, pediu.

Como podemos ajudar?
Mas e se estivermos próximos de alguém que passe por estas situações? O que devemos fazer? “Um vizinho pode fazer queixa à polícia mas pode também criar situações de retaliação. O ideal é falar com a pessoa e ser a própria, com a ajuda da APAV, a sair da situação”, alerta João Lázaro, que está preocupado com os dados que dizem que desde o início do ano já morreram 10 mulheres vítimas de violência doméstica. Para o presidente da APAV, os dados “são extremamente preocupantes”. Porém, também acredita que as coisas estão melhores. “Nos últimos 15, 20 anos, há cada vez mais pessoas a dar a cara, a sair da violência doméstica e a não se remeterem ao silêncio. Os períodos que vivem estas situações são também cada vez mais curtos. As pessoas estão mais intolerantes”, defende.