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Ricardo Pereira: "Estava na altura de fazer um bom vilão"

O ator que dá vida a Gonçalo elogia as colegas de cena, Soraia Chaves e Cláudia Vieira. Prestes a dizer adeus à novela, está de partida para o Brasil e a família vai com ele.

Jose Oliveira

É um dos poucos portugueses que vingou nas novelas da Globo mas, apesar de a sua residência atual ser no Rio de Janeiro, Ricardo Pereira continua a fazer questão de trabalhar tanto do lado de lá do Atlântico como em Portugal. Neste momento, está a adorar interpretar Gonçalo, em “Alma e Coração”. “Estava na altura de fazer um bom vilão na televisão em Portugal e este foi feito à minha medida. Todos os dias que encontro o Pedro Lopes [diretor de Conteúdos da SP Televisão], agradeço”, diz o ator, que já se deixou conquistar pelo mau da fita. “Estou encantado com este vilão tão subtil, tão detalhista. Digo sempre à Cláudia [Vieira]: Claudinha, eu precisava de vir desestabilizar isto. A vilania é muito importante numa novela. Esta personagem veio contaminar todas as outras histórias”, afirma. Mas não é apenas com Cláudia que Ricardo aprecia trabalhar. “Gosto muito da parceria com a minha querida amiga Soraia [Chaves], parceira de tantos anos com quem já trabalhei muito. E realmente é uma dupla fantástica. Nós encaixamos bem”, diz.
Regresso ao Brasil
Com a sua participação na trama da SIC prestes a terminar, Ricardo Pereira volta para a TV Globo, onde se tem dedicado também à apresentação. Apesar de em Portugal conduzir, ao lado de Sofia Cerdeira, o “E-Especial”, há já 11 anos, só nos últimos tempos a estação brasileira viu nele esta potencialidade. Apresentou uma rubrica no “Domingão do Faustão” e substituiu Ana Maria Braga no programa da manhã do canal brasileiro. Para além disso, está há um ano a fazer o “Sem Cortes”, um programa sobre os bastidores da televisão do Brasil. “Sinto que as entrevistas me deram uma bagagem diferente. Entrevistas profundas de carreira que envolvem muito estudo. Quem me conhece sabe que adoro conversar. Acho que me descobri, apaixonei-me por este registo.” No segundo semestre do ano, Ricardo garante que vai continuar na apresentação e tem já uma novela. “Acho giro, é bom dividir-me. Também manifestei na empresa que queria este duplo trabalho, esta dupla tarefa. E tem sido uma descoberta muito grande”, afirma.
Um homem de família
Apesar de toda esta energia focada no trabalho, o ator português sabe que nada disto faz sentido sem uma vida familiar estável. Casado com Francisca Pereira e com três filhos, Vicente, Francisca e Julieta, Ricardo garante: “Viro-me ao contrário para estar com eles. Este fim de semana, por exemplo, não existiu trabalho. Dedico-me em pleno à minha vida pessoal”, revela. Mas também rejeita o título de família exemplar. “Somos tão perfeitos como as outras famílias. Erramos muito, acertamos, aprendemos muito com os erros, batemos muito na parede como todos os outros.” E ele não gosta de se culpabilizar ou condenar por não ter tempo para tudo. “Acreditem que nós temos muito mais tempo para os nossos filhos do que os nossos pais tiveram para nós. Nós somos muito mais preocupados, é outra cultura. Somos mais presentes – e falo muito com os meus pais sobre isto e eles eram ultrapresentes – mas a vida era outra”, defende. E com tanta desafio, o que falta ainda fazer? “Muita coisa! Tenho muitos objetivos. Estou a apontar em várias outras direções. E podia estar tranquilo. Mas tenho prazer no que faço”, reforça.