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Optar ou não pela histerectomia?

Os miomas uterinos implicavam muitas vezes a remoção do útero e a infertilidade, mas já há alternativas que permitem manter o órgão.

Margarida Martinho, Responsável da Unidade de Endoscopia do Centro Hospitalar de S. João e presidente da Secção Portuguesa de Endoscopia Ginecológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia

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O que é
Histerectomia é a intervenção cirúrgica em que se remove o útero. Pode retirar-se a totalidade do órgão ou apenas a porção localizada no interior do abdómen, o corpo uterino. Esta intervenção pode ser acompanhada pela remoção das trompas, dos ovários ou de ambos.

As causas
A principal causa de histerectomia em mulheres mais jovens e até à menopausa são os miomas uterinos, um tumor benigno do músculo uterino. Afetam cerca de 2 milhões de mulheres em Portugal e podem diminuir a fertilidade ou causar dor e hemorragias anormais com impacto negativo na qualidade de vida. Outras indicações importantes para a realização desta cirurgia são o prolapso uterino e o cancro ginecológico. Nas situações oncológicas, a histerectomia é virtualmente obrigatória, e nas de prolapso uterino (descida do útero por deficiência dos tecidos e ligamentos de suporte do útero) o tratamento cirúrgico implica quase sempre a operação mas não é obrigatória. Ao contrário, no caso dos miomas, a histerectomia (habitualmente considerada a abordagem mais eficaz e definitiva), por se tratar de um tratamento cirúrgico associado a mais riscos, a um período de recuperação mais longo (cerca de 4 a 6 semanas) e a custos mais elevados, deve cada vez mais limitar-se aos casos de fracasso ou impossibilidade de recurso aos tratamentos alternativos.

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Novos tratamentos
Um novo tipo de tratamento hormonal – os modeladores seletivos dos recetores de progesterona, nomeadamente o acetato de ulipristal – mostrou ser muito eficaz no controlo de sintomas causados por miomas em comparação com outros tratamentos, conseguindo diminuir a hemorragia assim como reduzir o tamanho dos miomas. Desta forma, facilita e melhora os resultados cirúrgicos e, em casos selecionados, pode evitar a operação.

Em Portugal
Um estudo realizado em Portugal com o patrocínio da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), sobre a evolução do número de histerectomias realizadas em Portugal entre 2000 e 2014 nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, revelou que 166.177 mulheres foram submetidas a este procedimento em Portugal. Ao longo deste período, registou-se uma diminuição de 19,4% no número de histerectomias, sobretudo nas realizadas por hemorragias uterinas anormais, muitas delas causadas por miomas uterinos. O estudo revelou uma tendência para uma abordagem mais conservadora no tratamento de patologias uterinas benignas (como os miomas uterinos) particularmente em mulheres mais jovens, procurando, sempre que possível, preservar o útero.